- Cantinho da Laranja Lima
- Curta na cozinha
- £a£i.... Mulher... Poema...
- Noites Sem Fim
- Noites Sem Fim II
- Ser Somente Mulher
- Sempre brilhará
- Seu presente... Seu sonho
- Seu presente... seu sonho... II
- Sonhos e carinhos de Timel
- Sou Lali
- Traduções by Francis
- Zumbi escutando blues
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" (...) Deixa dizer-te os lindos versos raros Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda… Que a boca da mulher é sempre linda Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei… E nesse beijo, amor, que eu te não dei Guardo os versos mais lindos que te fiz!"
Florbela Espanca
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"(...) Porque o meu Reino fica para além ... Porque trago no olhar os vastos céus E os oiros e clarões são todos meus ! Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !(...)" Florbela Espanca
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Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
Fernando Pessoa
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~ Não espere me encontrar no texto, não me prenda, não busque no ar a minha forma, ainda que ali eu tenha dito que sou eu, ainda que eu precise que você acredite que me encontrou. Não me faça refém das asas que eu custei tanto a saber como usar, não me escravize no incomensurável outro, não tente me achar onde eu preciso mesmo é me perder.
Ticcia
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Durmo. Se sonho, ao despertar não sei Que coisas eu sonhei. Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto Para um espaço aberto Que não conheço, pois que despertei Para o que inda não sei. Melhor é nem sonhar nem não sonhar
Fernando Pessoa
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Auto-retrato
Espáduas brancas palpitantes: asas no exílio dum corpo. Os braços calhas cintilantes para o comboio da alma. E os olhos emigrantes no navio da pálpebra encalhado em renúncia ou cobardia. Por vezes fêmea. Por vezes monja. Conforme a noite. Conforme o dia. Molusco. Esponja embebida num filtro de magia. Aranha de ouro presa na teia dos seus ardis. E aos pés um coração de louça quebrado em jogos infantis. Natália Correia
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Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do tempo.
Sophia de Mello Breyner Anderson
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Pudor
Vens, e não sonho mais Quebra-se a onda do penedo austero. E o mar recua, sem haver sinais De que te quero.
Miguel Torga
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O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa
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O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.
Ticcia
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" Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é (...)"
Fernando Pessoa
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Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
Clarice Lispector
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Dorme enquanto eu velo... Deixa-me sonhar... Nada em mim é risonho. Quero-te para sonho, Não para te amar. A tua carne calma É fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços. Nem quero ter nos braços Meu sonho do teu ser. Dorme, dorme. dorme, Vaga em teu sorrir... Sonho-te tão atento Que o sonho é encantamento E eu sonho sem sentir.
Fernando Pessoa
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"(...) Mas não era isso que eu queria te falar, não. Não era isso que eu tinha hoje pra te dar. Então se sente aqui do meu lado, e abre as orelhas, olhos e narinas. Que o que eu tinha pra te contar eu comecei a contar antes de você chegar, e você pegou a história pela metade... Que o que eu queria te dar de presente eu dei pro vento. Que o que você perdeu você acha ali, debaixo daquele pano, debaixo daquele pano ali.(...)"
Tito de Andréa
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Quero o colo da mãe poesia, numa troca sem pudor, sem meias palavras, em tudo sou intensa.
Ledalge
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"(...) É o tempo, o tempo que leva a vida Que chora e choro na noite triste. É a mágoa, a queixa mal definida De quanto existe, só porque existe."
Fernando Pessoa
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De canto e hora meu nada se enlouquece neste espanto de ver e de não ser e na pergunta a resposta se empobrece sem luz de outra manhã, o acontecer. No turbilhão do pequeno o breve esquece
Salette Tavares
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Se eu fosse apenas água ou vento, com que prazer me desfaria, como em teu próprio pensamento vais desfazendo a minha vida!
Cecilia Meireles
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Ficou entre os meus dedos Como um espólio do sentimento A sensação dos seus cabelos Meio grisalhos Na última noite Que nos amamos A que viemos seres humanos? Se o amor que nos distingue Como um estorvo em nós se extingue?
Adilson Rodrigueiro
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O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.
Ticcia
~

A memória voou da minha fronte. Voou meu amor, minha imaginação... Talvez eu morra antes do horizonte. Memória, amor e o resto onde estarão? (...)
Cecília Meireles
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Hoje escrevi um poema triste E belo, apenas da sua tristeza. Não vem de ti essa tristeza Mas das mudanças do Tempo, Que ora nos traz esperanças Ora nos dá incerteza... Nem importa, ao velho Tempo, Que sejas fiel ou infiel... Eu fico, junto à correnteza, Olhando as horas tão breves... E das cartas que me escreves Faço barcos de papel!
Mário Quintana
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"(...) Amor é síntese É uma integração de dados Não há que tirar nem pôr Não me corte em fatias Ninguém consegue abraçar um pedaço Me envolva todo em seus braços E eu serei o perfeito amor."
Mário Quintana
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"(...) Voltei para casa final da madrugada. Abracei o travesseiro. Falei baixinho com ele: -Vamos ver quem dorme primeiro? " Rosa Pena
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Entra e tira o teu agasalho. Está tanto frio... Entranhou-se-me até quase às raízes do sentir enquanto te esperava. Agora que aqui estás, quente que és na tua presença, conforta-me pois preciso tanto. Já não distingo o corpo da alma, tal é o estado de algidez em que me encontro. Os troncos que pus na lareira riem-se de mim e recusam-se a arder. Só o teu abraço me providenciará algum alívio. Senta-te aqui e recebe-me no teu colo... Envolve-me com os teus braços e o teu olhar. Aqueles, aquecer-me-ão o corpo e este o coração. Deixa-me adormecer assim no teu regaço para que sonhe o que aqui te conto.
Cumplicidades partilhadas
~

E eu, que tanto tremo na sua presença, Logo eu, que me defino em desejos de sua pele, Eu, que tanto creio na tua passagem dentro de mim. Me pego agora me imaginando na ponta de tua língua, Que põe cacos de mim, e cria delírios de sabores vários, Minha barriga gela, só de pensar!!! Meu coração pulsa mais forte, é o desejo que vem quando te penso. E agora, o que faço já que estás tão longe? Fico a tua espera te desejando cada vez mais e a cada segundo ? Ou sumo no mundo pra te encontrar talvez em alguma esquina? Ah, vou tomar um banho de água fria, pra ver se o desejo que tanto tenho, Se esvai com a água pelo ralo. Já que não te tenho, simplesmente me calo...
Viviani Leite
~

Olhos postos na terra tu virás, no ritmo da própria primavera e como as flores e os animais abrírás as mãos de quem te espera.
Eugénio de Andrade
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"Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde! Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te(...)"
Cecilia Meireles
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"(...) Permite que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo."
Cecília Meireles
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Restitui-te na minha memória, por dentro das flores! Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix, tua boca de malmequer orvalhado, e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios, com suas estrelas e cruzes, e muitas coisas tão estranhamente escritas nas suas nervuras nítidas de folha, - e incompreensíveis, incompreensíveis.
Cecilia Meireles
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Quando passearemos de mãos enlaçadas sob as árvores? E parados face a face com o abraço subindo, lento e envolvente, da cintura ao peito e aos ombros... Quero sentir-te estremecer da terna expectativa,bem junto a mim, do desejar não querendo, vendo nos teus olhos o contrário do que a tua boca fala. Pois te digo: gosto por demais de ti para me render ao trágico significado da verdade do que dizes. Repete, repete à exaustão a recusa suprema. Não adianta , meu amor! Até à morte, serão somente palavras que não desfazem a ilusão. Só após ela se tornarão numa realidade que então não terá mais importância.
Maria Branco
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violetas lá fora chove e nada do que digo é o que queria dizer : estou imóvel e tenho a pressa de uma presa sem saída ante o felino eternamente a preparar o bote sem desejo – e a agonia poreja das paredes asas coladas voltamos ao casulo viscosos seres unidos no tormento de um antigo momento que não volta além dessas janelas a vida comemora seus enigmas quatro estações e luas e o vento vibra por suas ruas e praças em curva infiltração apodrecemos violetas o caule a desfazer-se
Adelaide Amorim
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Dizeis ser possível sentir ciúmes sem ter jamais amado? Sim, é possível, pois existem ciúmes de tão ruim origem que são como abortados filhos do mais cruel rancor.
Calderón
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Canto[te]
Quero cantar-te todos os pássaros do céu e todas as borboletas do canteiro onde brotam as flores que cultivamos juntos. Quero cantar-te todas as ondas do mar e todas as dunas que cresceram sobre nós quando dormimos na praia nus e saciados. Quero cantar-te sem palavras supérfluas todas as odes ao amor de todos os poetas que por ele morreram. E ao adormeceres ao som do meu canto que o teu sonho se não distinga da minha realidade futura.
Cumplicidades partilhadas
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"(...) faz de conta que ela nao estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver. "Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária" "(...) mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas."
Clarice Lispector
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É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado,as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
Mário Quintana
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Queira me habitar onde eu me escondo Faz desse lugar só seu no mundo Quero hospedar-me em você. E no azul, cor da saudade no azul, cor do amor entre compassos e descompassos Da violeta lembrança e dos vermelhos pesares Haverá sempre a esperança de nunca mais fugires... Nunca mais a dor.
ßorbo
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E ainda dançarei mil vezes para te fazer sorrir... Te esperarei mil noites... Te guardarei mil vezes em meio seio... Basta te achegares a mim, e pedir. Dança! Espera! Guarda-me! E cá estarei a te amar
ßorbo
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Te amo porque te amo... E se te amo assim tão plena e simplesmente É porque não encontrei outra forma de te amar Que não fosse te amar perdidamente.
ßorbo
~

E perdida no desejo de ser tua Ergo os braços tentando te alcançar Mas encontro o vazio em teu lugar.. Tela branca... fria.. inerte... O vazio de tua ausência... E assim te afago simplesmente Nos meus sonhos de te amar Doce... pura.. encandescente.
ßorbo
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Amar, é a vontade de estar perto, se longe e mais perto, se perto.
Vinícius de Morais
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Queres ir-te embora, mas tu não me levas, Não, não me levas, não, não me levas. A tua cara e o amor sob a tília Lembram-me os teus olhos.
Moldavos O-Zone
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"Quem se eu gritasse, entre as legiões de Anjos me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo senão o grau do Terrível que ainda suportamos e que admiramos porque, impassível, desdenha destruir-nos? Todo anjo é terrível. (...) "
Dante Alighieri
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"Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo..."
Mário Quintana
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Debruço-me na sua ausência como se o vazio dotado fosse de ombros largos, cor, calor e pudesse me ouvir ao relento roçar o ponto mais sensível da imensa falta que você faz.
Antônio Carlos Mattos
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Amor meu, desejos vãos, somos nós, nessa vastidão imensa!
E por ser mulher em devaneios vivo. Criando e re-criando como em um caleidoscópio os mais lindos sonhos de amor. Arremessando alto... Arrebentando grilhões... superando barreiras... transpondo distâncias inaceitáveis aos comuns mortais. Porque sou Mulher ! Porque vivo em ti, e por ti!
ßorbo
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"(...) Pobre de quem vem perguntando à pedra esquiva das esquinas a voz e a face dessa amante de que não restam senão cinzas! Pobre do outro a quem o gelo daquele encontro tão malsão nem conseguiu arrefece-lo! — Pobres de tantos, sem o selo de garantia da ilusão! (...)"
David Mourão
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"(...) tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. (...)"
Vinícios de Morais
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"(...) Canto porque o amor apetece. Porque o feno amadurece nos teus braços deslumbrados. Porque o meu corpo estremece por vê-los nus e suados. (...)"
Eugénio de Andrade
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"(...) Embora tenha o sol para me alumiar e a lua e as estrelas depois do sol se pôr sem a luz dos teus olhos negros é sempre negra a noite em meu redor (...)"
Bhartrhari
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"(...) Num deserto sem água Numa noite sem lua Num país sem nome Ou numa terra nua Por maior que seja o desespero Nenhuma ausência é mais funda do que a tua. (...)"
Sophia de Mello Breyner Andresen
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Mãos Dadas "Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considere a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história. não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela. não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida. não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente." Carlos Drummond de Andrade
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O rogo 
Senhor, Senhor, faz já tanto tempo, um dia Sonhei um amor como jamais pudera Sonhá-lo ninguém, algum, amor que fora A vida toda, toda a poesia...E passava o inverno e não vinha, E passava também a primavera, E o verão de novo persistia, E o outono me encontrava em minha espera.
Senhor, Senhor: minhas costas estão desnudas. Faça estalar ali, com mão rude, O açoite que sangra aos perversos!
Que está a tarde já sobre minha vida, E esta paixão ardente e desmedida, A hei perdido, Senhor fazendo versos. Afonsina Storni
Poema LXVI
Não te quero senão porque te quero e de querer-te a não querer-te chego e de esperar-te quando não te espero passa meu coração do frio ao fogo. Te quero só porque a ti te quero, te odeio sem fim, e odiando-te te rogo, e a medida de meu amor viageiro é não ver-te e amar-te como um cego. Talvez consumirá a luz de janeiro, seu raio cruel, meu coração inteiro, roubando-me a chave do sossego. Nesta história só eu morro e morrerei de amor porque te quero, porque te quero, amor, a sangue e fogo. Pablo Neruda

"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?" -Fernando Pessoa-
- Postado por: ßorbolet@ @zul às 22h43
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Cegueira Bendita 
Ando perdida nestes sonhos verdes De ter nascido e não saber quem sou, Ando ceguinha a tatear paredes E nem ao menos sei quem me cegou! Não vejo nada, tudo é morto e vago… E a minha alma cega, ao abandono Faz-me lembrar o nenúfar dum lago ´Stendendo as asas brancas cor do sonho… Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo E não ver nada nesse mar sem fundo, Poetas meus irmãos, que triste sorte!… E chamam-nos a nós Iluminados! Pobres cegos sem culpas, sem pecados, A sofrer pelos outros té à morte! [Florbela Espanca - A mensageira das violetas]
A Rua dos Cataventos 
Da vez primeira em que me assassinaram, Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha. Hoje, dos meu cadáveres eu sou O mais desnudo, o que não tem mais nada. Arde um toco de Vela amarelada, Como único bem que me ficou. Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada! Pois dessa mão avaramente adunca Não haverão de arracar a luz sagrada! Aves da noite! Asas do horror! Voejai! Que a luz trêmula e triste como um ai, A luz de um morto não se apaga nunca! [Mário Quintana] 
- Postado por: ßorbolet@ @zul às 22h57
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