Tudo cai! Tudo tomba! Derrocada Pavorosa! Não sei onde era dantes. Meu solar, meus palácios, meus mirantes! Não sei de nada, Deus, não sei de nada!...
Passa em tropel febril a cavalgada Das paixões e loucuras triunfantes! Rasgam-se as sedas, quebram-se os diamantes! Não tenho nada, Deus, não tenho nada!...
Pesadelos de insônia, ébrios de anseio! Loucura de esboçar-se, a enegrecer Cada vez mais as trevas do meu seio!
Ó pavoroso mal de ser sozinha! Ó pavoroso e atroz mal de trazer Tantas almas a rir dentro de mim! -Florbela Espanca-
As tuas mãos tremiam em segredo.
As tuas mãos tremiam em segredo.
Os teus olhos são negros e macios
Cristo na cruz os teus seios (?) esguios
E o teu perfil princesas no degredo...
Entre buxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vento põe seu arrastado medo
Saudoso a longes velas de navios
Mas quando o mar subir na praia e for
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,
Será o haver cais num mar distante...
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante!
-Fernando Pessoa -
- Postado por: ßorbolet@ @zul às 10h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
  
|