CELINE DION - Seduces me

 

 

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Escreve-Me...  
 
 
Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!
 
Escreve-me!há tanto tempo
Que te não vejo, amor!Meu coração
Morreu já,e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!
 
"Amo-te!"Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!
 
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...
-Florbela Espanca-
Fonte: Noites Sem Fim em 04/04/2006
 


- Postado por: ßorbolet@ @zul às 20h48
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O dia abriu seu pára-sol bordado



Para Erico Verissimo

O dia abriu seu pára-sol bordado
De nuvens e de verde ramaria.
E estava até um fumo, que subia,
Mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.


Depois surgiu, no céu azul arqueado,
A Lua - a Lua! - em pleno meio-dia.
Na rua, um menininho que seguia
Parou, ficou a olhá-la admirado...


Pus meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo... Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!


E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude...


[Mario Quintana; A Rua dos Cataventos]

Soneto de Borboletas!



As borboletas, pousam
Onde pousa o meu olhar
Tu és a flor sorridente
Que despertou o meu amar!

As borboletas saltitantes
Vem na manhã fazer sorrir
As Rosas e as Margaridas
Que só Tu, fazes florir!

As borboletas engrandecem
O cenário, no amanhecer
E nos beijos envaidecem...

...Os pássaros belos a voar
As borboletas, pousam
Mas só Tu, sabes (me) amar!


Léa, Na Estrada. 18-04-2007. 11:26

 



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 10h09
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A Sonetista Morta

Quando a lua dos sonetos ocultar
O brilho que foquei nas minhas retinas
Estarei prontamente com bela sina
A remir todos os medos que fiz brilhar!

Já sem forças às mãos estenderei em prece
Um soneto derradeiro com flores de sal
Que das lágrimas flori sem ter o mal
A roer minhas veias em pobre messe!

A mortalha dos loucos hei de vestir!
À tardinha recolherei varal d'estrelas...
E nuas, minhas mãos acariciarei...

A pena que na vida sempre toquei
E fiz do Universo, meu ar, minha veia!
Morri sem medo, sonetos despi
!

(Ledalge,11 de março de 2008)

História antiga



No meu grande otimismo de inocente,
Eu nunca soube por que foi... um dia,
Ela me olhou indiferentemente,
Perguntei-lhe por que era... Não sabia...

Desde então, transformou-se de repente
A nossa intimidade correntia
Em saudações de simples cortesia
E a vida foi andando para frente...

Nunca mais nos falamos... vai distante...
Mas, quando a vejo, há sempre um vago instante
Em que seu mudo olhar no meu repousa,

E eu sinto, sem no entanto compreendê-la,
Que ela tenta dizer-me qualquer cousa,
Mas que é tarde demais para dizê-la...

[Raul de Leôni]


" Quero o colo da mãe poesia, numa troca sem pudor, sem meias palavras, em tudo sou intensa."
(Ledalge)




- Postado por: ßorbolet@ @zul às 23h36
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A Janela e o Sol



"Deixa-me entrar, - dizia o sol - suspende
A cortina, soabre-te! Preciso
O íris trêmulo ver que o sonho acende
Em seu sereno virginal sorriso.

Dá-me uma fresta só do paraíso
Vedado, se o ser nele inteiro ofende...
E eu, como o eunuco, estúpido, indeciso,
Ver-lhe-ei o rosto que na sombra esplende."

E, fechando mais, zelosa e firme,
Respondia a janela: "Tem-te, ousado!
Não te deixo passar! Eu, néscia, abri-me!

E esta que dorme, sol, que não diria
Ao ver-te o olhar por trás do cortinado,
E ao ver-se a um tempo desnudada e fria?!"

Alberto de Oliveira

 

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ßorbolet@ @zul


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- Postado por: ßorbolet@ @zul às 00h10
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