CELINE DION - Seduces me

 

 

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FALAVAM-ME DE AMOR

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia
O Dilúvio e a Pomba 
Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979

Pedido a Papai Noel

Papai Noel, não tomes por demais,
o meu pedido de menino pobre:
Dinheiro não, Papel Noel, não cobre,
nem boneca, nem bola ou coisas tais.

Só queria que desses aos meus pais,
aos meus irmãos e a mim, o quanto sobre
da casa da fortuna, e esta, redobre
para que seu Natal lhe brilhe mais.

Água e pão, uma choça pequenina,
a abrigar-nos do sol e da neblina,
a luz que vem do Cristo, sua fé.

Papai Noel, não julgues que é demais.
nos vê a necessidade, os gritos e ais,
pelas chagas do Deus de Nazaré.

[João Justiniano da Fonseca]

 

 

O Feelings and Dreams deseja a todos um Feliz Natal e indica o caminho do GIRABLOG

Com Wä£ ®¡¢ä®ðö  



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 00h05
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Soneto nº 15

Quando penso que tudo o quanto cresce
Só prende a perfeição por um momento,
Que neste palco é sombra o que aparece
Velado pelo olhar do firmamento;

Que os homens, como as plantas que germinam,
Do céu têm o que os freie e o que os ajude;
Crescem pujantes e, depois, declinam,
Lembrando apenas sua plenitude.

Então a idéia dessa instável sina
Mais rica ainda te faz ao meu olhar;
Vendo o tempo, em debate com a ruína,

Teu jovem dia em noite transmutar.
Por teu amor com o tempo, então, guerreio,
E o que ele toma, a ti eu presenteio.

[William Shakespeare]

...

Sonho...

Entra e tira o teu agasalho.

Está tanto frio...
Entranhou-se-me até quase às raízes do sentir enquanto te esperava.
Agora que aqui estás, quente que és na tua presença, conforta-me pois preciso tanto.
Já não distingo o corpo da alma, tal é o estado de algidez em que me encontro.

Os troncos que pus na lareira riem-se de mim e recusam-se a arder.
Só o teu abraço me providenciará algum alívio.
Senta-te aqui e recebe-me no teu colo...
Envolve-me com os teus braços e o teu olhar.
Aqueles, aquecer-me-ão o corpo e este o coração.

Deixa-me adormecer assim no teu regaço para que sonhe o que aqui te conto.

[cumplicidade partilhada]

ßorbolet@ @zul



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 23h02
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