

"(...) O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
_O jardim dos meus versos todo em flor…
A seara dos teus beijos, pão bendito…
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços…
_São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito."
Florbela Espanca
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"(...) Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão."
Florbela Espanca
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"(...) Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda (...)"
Augusto dos Anjos
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"(...) A voz do céu pode vibrar sonora
ou do Inferno a sinistra sinfonia,
que num fundo de astral melancolia
minh'alma com a tu'alma goza e chora. (...)
Cruz e Souza
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" Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!..."
Alvares de Azevedo
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" Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces...
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto...
No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida...
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto...
E em minha voz, a tua voz...(...)"
Vinícius de Moraes
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"(...) Mas a idéia é num mundo inalterável,
Num cristalino céu, que vive estável...
Tu, pensamento, não és fogo, és luz! (...)"
Antero de Quental
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- 01/11/2009 a 30/11/2009 _______________ _______________
- 01/10/2009 a 31/10/2009
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- 01/02/2008 a 29/02/2008
- 01/01/2008 a 31/01/2008
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- 01/10/2006 a 31/10/2006

"Amar! Mas d' um amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
D' uma doida cabeça escandecida (...)"
Antero de Quental
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" (...) Para mim, o seu cantar era Divino,
Quando ao som da viola e do bordão,
Cantava com voz rouca, o Desatino,
O Sangue, o riso e as mortes do Sertão(...) "
Ariano Suassuna
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" (...) Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!"
Florbela Espanca
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"(...) Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !(...)"
Florbela Espanca
~

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
Fernando Pessoa
~

~
Não espere me encontrar no texto, não me prenda, não busque no ar a minha forma, ainda que ali eu tenha dito que sou eu, ainda que eu precise que você acredite que me encontrou. Não me faça refém das asas que eu custei tanto a saber como usar, não me escravize no incomensurável outro, não tente me achar onde eu preciso mesmo é me perder.
Ticcia
~

Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
Que coisas eu sonhei.
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
Melhor é nem sonhar nem não sonhar
Fernando Pessoa
~

Auto-retrato
Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
Natália Correia
~

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.
Sophia de Mello Breyner Anderson
~

Pudor
Vens, e não sonho mais
Quebra-se a onda do penedo austero.
E o mar recua, sem haver sinais
De que te quero.
Miguel Torga
~

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa
~

O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.
Ticcia
~

" Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é (...)"
Fernando Pessoa
~

Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
Clarice Lispector
~

Dorme enquanto eu velo... Deixa-me sonhar... Nada em mim é risonho. Quero-te para sonho, Não para te amar. A tua carne calma É fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços. Nem quero ter nos braços Meu sonho do teu ser. Dorme, dorme. dorme, Vaga em teu sorrir... Sonho-te tão atento Que o sonho é encantamento E eu sonho sem sentir.
Fernando Pessoa
~ Tito de Andréa ~ Quero o colo da mãe poesia, numa troca sem pudor, sem meias palavras, em tudo sou intensa. Ledalge ~ "(...) É o tempo, o tempo que leva a vida Fernando Pessoa ~ De canto e hora meu nada se enlouquece Salette Tavares ~ Se eu fosse apenas água ou vento, Cecilia Meireles ~ Ficou entre os meus dedos Adilson Rodrigueiro ~ O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono. Ticcia ~ A memória voou da minha fronte. Cecília Meireles ~ Hoje escrevi um poema triste Mário Quintana ~ "(...) Amor é síntese Mário Quintana ~ "(...) Voltei para casa ~ Entra e tira o teu agasalho. Cumplicidades partilhadas ~ E eu, que tanto tremo na sua presença, Viviani Leite ~ Olhos postos na terra Eugénio de Andrade ~ "Permita que eu feche os meus olhos, Cecilia Meireles ~ "(...) Permite que eu volte o meu rosto Cecília Meireles ~ Restitui-te na minha memória, por dentro das flores! Cecilia Meireles ~ Quando passearemos de mãos enlaçadas sob as árvores? E parados face a face com o abraço subindo, lento e envolvente, da cintura ao peito e aos ombros... Quero sentir-te estremecer da terna expectativa,bem junto a mim, do desejar não querendo, vendo nos teus olhos o contrário do que a tua boca fala. Pois te digo: gosto por demais de ti para me render ao trágico significado da verdade do que dizes. Repete, repete à exaustão a recusa suprema. Não adianta , meu amor! Até à morte, serão somente palavras que não desfazem a ilusão. Só após ela se tornarão numa realidade que então não terá mais importância. Maria Branco ~ violetas Adelaide Amorim ~ Dizeis ser possível sentir ciúmes sem ter jamais amado? Sim, é possível, pois existem ciúmes de tão ruim origem que são como abortados filhos do mais cruel rancor. Calderón ~ Canto[te] Quero cantar-te todos os pássaros do céu e todas as borboletas do canteiro onde brotam as flores que cultivamos juntos. Cumplicidades partilhadas ~ "(...) faz de conta que ela nao estava chorando por dentro - Clarice Lispector ~ É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... Mário Quintana ~ Queira me habitar onde eu me escondo ßorbo ~ E ainda dançarei mil vezes para te fazer sorrir... ßorbo ~ Te amo porque te amo... ßorbo ~ E perdida no desejo de ser tua ßorbo ~ Amar, é a vontade de estar perto, se longe Vinícius de Morais ~ Queres ir-te embora, mas tu não me levas, Moldavos O-Zone ~ "Quem se eu gritasse, entre as legiões de Anjos Dante Alighieri ~ "Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, Mário Quintana ~ Debruço-me na sua ausência como se o vazio dotado fosse de ombros largos, cor, calor e pudesse me ouvir ao relento roçar o ponto mais sensível da imensa falta que você faz. Antônio Carlos Mattos ~ Amor meu, desejos vãos, somos nós, nessa vastidão imensa! E por ser mulher em devaneios vivo. ßorbo ~ "(...) Pobre de quem vem perguntando David Mourão ~ "(...) tu irás e encostarás a tua face em outra face. Vinícios de Morais ~ "(...) Canto porque o amor apetece. Eugénio de Andrade ~ "(...) Embora tenha o sol para me alumiar Bhartrhari ~ "(...) Num deserto sem água Sophia de Mello Breyner Andresen ~ _______________

"(...) Mas não era isso que eu queria te falar, não.
Não era isso que eu tinha hoje pra te dar. Então se sente aqui do meu lado, e abre as orelhas, olhos e narinas.
Que o que eu tinha pra te contar eu comecei a contar antes de você chegar, e você pegou a história pela metade...
Que o que eu queria te dar de presente eu dei pro vento.
Que o que você perdeu você acha ali, debaixo daquele pano, debaixo daquele pano ali.(...)"

Que chora e choro na noite triste.
É a mágoa, a queixa mal definida
De quanto existe, só porque existe."
neste espanto de ver e de não ser
e na pergunta a resposta se empobrece
sem luz de outra manhã, o acontecer.
No turbilhão do pequeno
o breve esquece
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida! 
Como um espólio do sentimento
A sensação dos seus cabelos
Meio grisalhos
Na última noite
Que nos amamos
A que viemos seres humanos?
Se o amor que nos distingue
Como um estorvo em nós se extingue?

Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão? (...)
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor."
final da madrugada.
Abracei o travesseiro.
Falei baixinho com ele:
-Vamos ver quem
dorme primeiro? "
Rosa Pena
Está tanto frio...
Entranhou-se-me até quase às raízes do sentir enquanto te esperava.
Agora que aqui estás, quente que és na tua presença, conforta-me pois preciso tanto.
Já não distingo o corpo da alma, tal é o estado de algidez em que me encontro.
Os troncos que pus na lareira riem-se de mim e recusam-se a arder.
Só o teu abraço me providenciará algum alívio.
Senta-te aqui e recebe-me no teu colo...
Envolve-me com os teus braços e o teu olhar.
Aqueles, aquecer-me-ão o corpo e este o coração.
Deixa-me adormecer assim no teu regaço para que sonhe o que aqui te conto.
Logo eu, que me defino em desejos de sua pele,
Eu, que tanto creio na tua passagem dentro de mim.
Me pego agora me imaginando na ponta de tua língua,
Que põe cacos de mim, e cria delírios de sabores vários,
Minha barriga gela, só de pensar!!!
Meu coração pulsa mais forte, é o desejo que vem quando te penso.
E agora, o que faço já que estás tão longe?
Fico a tua espera te desejando cada vez mais e a cada segundo ?
Ou sumo no mundo pra te encontrar talvez em alguma esquina?
Ah, vou tomar um banho de água fria, pra ver se o desejo que tanto tenho,
Se esvai com a água pelo ralo.
Já que não te tenho, simplesmente me calo...
tu virás, no ritmo da própria primavera
e como as flores e os animais
abrírás as mãos
de quem te espera.
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te(...)"
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo."

Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.

lá fora chove
e nada do que digo
é o que queria dizer
: estou imóvel
e tenho a pressa de uma presa sem saída
ante o felino
eternamente a preparar
o bote sem desejo
– e a agonia poreja das paredes
asas coladas
voltamos ao casulo
viscosos seres
unidos no tormento
de um antigo momento que não volta
além dessas janelas
a vida comemora seus enigmas
quatro estações e luas
e o vento vibra
por suas ruas e praças
em curva infiltração
apodrecemos
violetas
o caule a desfazer-se

Quero cantar-te todas as ondas do mar e todas as dunas que cresceram sobre nós quando dormimos na praia nus e saciados.
Quero cantar-te sem palavras supérfluas todas as odes ao amor de todos os poetas que por ele morreram.
E ao adormeceres ao som do meu canto que o teu sonho se não distinga da minha realidade futura.
pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;
ela saíra agora da voracidade de viver.
"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária"
"(...) mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas."
É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado,as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
Faz desse lugar só seu no mundo
Quero hospedar-me em você.
E no azul, cor da saudade
no azul, cor do amor
entre compassos e descompassos
Da violeta lembrança e dos vermelhos pesares
Haverá sempre a esperança
de nunca mais fugires...
Nunca mais a dor. 
Te esperarei mil noites...
Te guardarei mil vezes em meio seio...
Basta te achegares a mim, e pedir.
Dança!
Espera!
Guarda-me!
E cá estarei a te amar 
E se te amo assim tão plena e simplesmente
É porque não encontrei outra forma de te amar
Que não fosse te amar perdidamente.
Ergo os braços tentando te alcançar
Mas encontro o vazio em teu lugar..
Tela branca... fria.. inerte...
O vazio de tua ausência...
E assim te afago simplesmente
Nos meus sonhos de te amar
Doce... pura.. encandescente.
e mais perto, se perto.
Não, não me levas, não, não me levas.
A tua cara e o amor sob a tília
Lembram-me os teus olhos.
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo anjo é terrível. (...) "
pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo..."

Criando e re-criando como em um caleidoscópio
os mais lindos sonhos de amor.
Arremessando alto...
Arrebentando grilhões...
superando barreiras...
transpondo distâncias inaceitáveis aos comuns mortais.
Porque sou Mulher !
Porque vivo em ti, e por ti!
à pedra esquiva das esquinas
a voz e a face dessa amante
de que não restam senão cinzas!
Pobre do outro a quem o gelo
daquele encontro tão malsão
nem conseguiu arrefece-lo!
— Pobres de tantos, sem o selo
de garantia da ilusão! (...)"
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. (...)" 
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
por vê-los nus e suados. (...)"
e a lua e as estrelas depois do sol se pôr
sem a luz dos teus olhos negros
é sempre negra a noite em meu redor (...)"
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua. (...)"
Mãos Dadas
"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente."
Carlos Drummond de Andrade

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É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado,as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.(Mário Quintana)

Oceano Nox
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o vôo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?
Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...
[Antero de Quental]
Fonte: Meus guardados de Quental.
(...)...faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -
pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;
ela saíra agora da voracidade de viver.
"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária"
"(...)mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." (Clarice Lispector)

ROSEIRA BRAVA[clik]
Há nos teus olhos um tal fulgor
E no teu riso tanta claridade,
Que o lembrar-me de ti é ter saudade
Duma roseira brava toda em flor.
Tuas mãos foram feitas para a dor,
Para os gestos de doçura e piedade;
E os teus beijos de sonho e de ansiedade
São como a alma a arder do próprio Amor
Nasci envolta em trajes de mendiga;
E, ao dares-me o teu amor de maravilha,
Deste-me o manto de oiro de rainha!
Tua irmã...teu amor...e tua amiga...
E também, toda em flor, a tua filha,
Minha roseira brava que é só minha!...
[Florbela Espanca]
Soneto do Amor Eterno
(Soneto de Fidelidade)
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
[Vinicius de Moraes]
Fonte: Eterno Em Nós (27/09 e 05/10 de 2007)-clik
Canto[te]
Quero cantar-te todos os pássaros do céu e todas as borboletas do canteiro onde brotam as flores que cultivamos juntos.
Quero cantar-te todas as ondas do mar e todas as dunas que cresceram sobre nós quando dormimos na praia nus e saciados.
Quero cantar-te sem palavras supérfluas todas as odes ao amor de todos os poetas que por ele morreram.
E ao adormeceres ao som do meu canto que o teu sonho se não distinga da minha realidade futura.(Cumplicidades partilhadas)

MULHER
- 'Já é demais! me disseste, - o teu ciúme é irritante
e há de acabar na certa por nos indispor,
fazes do meu viver um martírio constante
e ao que vês, tu dás sempre afinal outra cor!'
Eu resolvi então, daquele dia em diante,
sem nada te dizer, e sem nada propor,
sufocar esse amor egoísta e dominante
e o ciúme... que era o fel que punha em nosso amor!
Hoje... Tu sofres mais quando em minha presença...
E há pouco, (creio até que bateste com os pés!)
- já achavas ser demais a minha indiferença...
E possa eu compreender, afinal, o que queres,
quando enfim descobri, sem surpresa, que tu és
incoerente... e igualzinha a todas as mulheres!
[J. G. de Araújo Jorge]
Dizeis ser possível sentir ciúmes sem ter jamais amado? Sim, é possível, pois existem ciúmes de tão ruim origem que são como abortados filhos do mais cruel rancor. (Calderón)
Continuando a navegar pelos caminhos do ciúme, indico o Meu Diário Azul para a próxima leitura, tendo a certeza de que a escritora Normanda* abordará o tema como lhe é peculiar, em grande estilo literário.
Sigam...
Meu Diario Azul

Se pena por amar-vos se merece
Quem dela livre está? Ou quem isento?
Que alma, que razão, que entendimento
Em ver-vos se não rende e obedece?
Que mor glória na vida se oferece
Que ocupar-se em vós o pensamento?
Toda a pena cruel, todo o tormento
Em ver-vos se não sente, mas esquece.
Mas se merece pena quem amando
Contínuo vos está, se vos ofende,
O mundo matareis, que todo é vosso.
Em mim, Senhora, podeis ir começando,
Que claro se conhece e bem se entende
Amar-vos quanto devo e quanto posso.
Fonte: Secret Garden Lost in Love

Quando passearemos de mãos enlaçadas sob as árvores? E parados face a face com o abraço subindo, lento e envolvente, da cintura ao peito e aos ombros... Quero sentir-te estremecer da terna expectativa,bem junto a mim, do desejar não querendo, vendo nos teus olhos o contrário do que a tua boca fala. Pois te digo: gosto por demais de ti para me render ao trágico significado da verdade do que dizes. Repete, repete à exaustão a recusa suprema. Não adianta , meu amor! Até à morte, serão somente palavras que não desfazem a ilusão. Só após ela se tornarão numa realidade que então não terá mais importância.(Maria Branco)

Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente
[Florbela Espanca]
Fonte: Noites Sem Fim, 14/03/2006
Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.(Cecilia Meireles)

(...)Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.(Cecília Meireles)


Bem sei, Amor, que é certo o que receio
Bem sei, Amor, que é certo o que receio;
mas tu, porque com isso mais te apuras,
de manhoso mo negas, e mo juras
no teu dourado arco; e eu to creio.
A mão tenho metida no teu seio,
e não vejo meus danos às escuras;
e tu contudo tanto me asseguras
que me digo que minto, e que me enleio.
Não somente consinto neste engano,
mas ainda to agradeço, e a mim me nego
tudo o que vejo e sinto de meu dano.
Oh! Poderoso mal a que me entrego!
Que, no meio do justo desengano,
me possa ainda cegar um moço cego!
Fonte: Noites Sem Fim, 17/03/2007
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te(...)(Cecilia Meireles)
