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Cristiny On Line

EXALTAÇÃO

Olhas nos olhos meus. E eu vejo neste instante
toda a terra subir a um céu que desconheço.
Olho nos olhos teus. E fica tão distante
o mundo: e todo o fel que ele contém, esqueço.
Sorris... e, contemplando o teu lindo semblante,
o ideal de minha vida, enfim, eu reconheço.
Falas... ouço-te a voz, e, impetuosa, radiante,
num gesto de ternura, os lábios te ofereço.
Beijas a minha boca. E neste beijo grande
- como uma flor que ao sol desabrocha e se espande -,
todo o meu ser palpita e freme e vibra e estua.
Tudo é um sonho, no entanto; o teu beijo... o meu crime.
Mentirosa ilusão! Pobre ilusão que exprime
somente o meu desejo imenso de ser tua!
[Adelaide Schloenbach Blumenschein (Yde)]
Fonte: Noites Sem Fim, 19/03/2007
""E perdida no desejo de ser tua
Ergo os braços tentando te alcançar
Mas encontro o vazio em teu lugar..
Tela branca... fria.. inerte...
O vazio de tua ausência...
E assim te afago simplesmente
Nos meus sonhos de te amar
Doce... pura.. encandescente."
."



Soneto XVII

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
[Pablo Neruda]
"Te amo porque te amo...
E se te amo assim tão plena e simplesmente
É porque não encontrei outra forma de te amar
Que não fosse te amar perdidamente."




"E ainda dançarei mil vezes para te fazer sorrir...



Último Soneto Que rosas fugitivas foste ali!Requeriam-te os tapetes, e vieste...Se me dói hoje o bem que me fizeste,É justo, porque muito te devi. Em que seda de afagos me envolviQuando entraste, nas tardes que apareceste!Como fui de percal quando me desteTua boca a beijar, que remordi... Pensei que fosse o meu o teu cansaçoQue seria entre nós um longo abraçoO tédio que, tão esbelta, te curvava... E fugiste... Que importa? Se deixasteA lembrança violeta que animaste,Onde a minha saudade a côr se trava?... [Mário de Sá Carneiro]
Fonte:Noites Sem Fim 03/03/2007
E no azul, cor da saudadeno azul, cor do amorentre compassos e descompassosDa violeta lembrança e dos vermelhos pesaresHaverá sempre a esperança de nunca mais fugires...Nunca mais a dor.


MORADA
Deixa-me te amar de qualquer jeito
Arranca, pois, de mim, esta vontade,
Esmaga para sempre esta saudade
Que amarga como fel dentro do peito...
Faze, então, de mim brisa serena
Roçando o teu corpo levemente,
Deixando que este amor tão de repente
Mostre que a loucura vale a pena.
Arranca-me dos lábios o doce mel,
A seiva que alimenta este prazer
E faze-me sentir subindo ao céu!
Não me deixes vagando, assim, ao léu,
Mostra-me com malícia o que é viver,
Descerra do teu corpo a veste, o véu...
[Antonio Sardenberg]
Fonte:Noites Sem Fim 27/02/2007
“Queira me habitar onde eu me escondo
Faz desse lugar só seu no mundo”
"Quero hospedar-me em você."




Primeiros Conselhos de Outono
Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da natureza:
- «Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima solidão,
Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel deveza,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da Ilusão!
Mais valera à tua alma visionária,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba vária,
(Sem ver uma só flor das mil, que amaste,)
Com ódio e raiva e dor - que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!» -
[Sonetos de Antero de Quental]
Fonte: Noites Sem Fim - 31/10/2006
Sentar ao pé da árvore e reparar nas folhas secas que se fazem de tapete na tarde quente de ar parado e esfumaçado de queimadas.
Sentir esse calor seco machucar a pele e a fumaça arder os olhos. Fechá-los a ouvir o som do silêncio.
Leve farfalhar das folhas secas no movimento oculto de minúsculos pés que ali passam em busca do alimento escasso...
Esperar no amor... por amor."(Sem ver uma só flor das mil, que amaste,)"


